terça-feira, 10 de janeiro de 2017

PRESÍDIOS DA MORTE

Motim faz subir para 64 o número de mortos em presídios do Amazonas. Em Roraima as 33 mortes são investigadas e podem ter sido comandadas por um preso do Paraná
MAIS DETALHES - Um novo motim em Manaus fez o número de mortos em presídios do Amazonas subir para 64 em uma semana. Depois de dois meses fechada, a cadeia pública Raimundo Vidal Pessoa foi reativada para abrigar 284 presos que estavam sob ameaça depois do massacre no Complexo Penitenciário Anísio Jobim. A paz só durou seis dias. Na madrugada de domingo (8 de janeiro), fogo e quatro presos mortos, três deles decapitados. A segurança em volta do prédio foi reforçada e a rua em frente foi fechada. Vinte presos tiveram que ser transferidos. “Os direitos humanos não querem a morte de ninguém nem de quem é bom nem de quem é ruim, mas é o seguinte, hoje estão vindo as consequências de um sistema prisional inteiramente falido”, disse Epitácio Almeida, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM. Os presos que foram transferidos também corriam risco de morte e, por isso, foram para um presídio fora da cidade, em Itacoatiara, a 276 quilômetros de Manaus. Com mais essa rebelião o número de mortos na crise carcerária do estado subiu para 64, em uma semana. Dois presos estão desaparecidos. A mudança dos presos para Itacoatiara deixou preocupados os familiares e moradores vizinhos da unidade que recebeu os detentos de Manaus. “Sem esses presos que acabaram de chegar, a gente já não dormia direito. Agora vai ficar pior”, diz uma mulher. Depois das últimas mortes no domingo (8), o Tribunal de Justiça do Amazonas determinou um mutirão carcerário nas varas criminais da capital e interior do estado. A polícia ainda procurava por 114, dos 184 que fugiram durante as rebeliões da semana passada. O governo do Amazonas pediu reforços para enfrentar a crise carcerária no estado. “No primeiro momento, nós tínhamos total controle com os nossos meios. Mas esses meios têm se mostrado insuficiente, porque a crise permanece. Então, nós precisamos agora de um efetivo apenas para cuidar do sistema prisional, porque a Força Nacional tem essa característica, ela é uma tropa ostensiva”, comenta Sérgio Fontes, secretário de Segurança do Amazonas. RORAIMA - Em Roraima, como noticiamos, subiu para 33 o número de mortos na Penitenciária Agrícola de Roraima. Os corpos de dois presos foram encontrados neste sábado (7 de janeiro), enterrados dentro do presídio. Os corpos foram encontrados durante uma varredura dentro da Penitenciária Agrícola de Monte Cristo, feita pelo Batalhão de Operações Especiais. A ação aconteceu depois que parentes de presos disseram que havia detentos desaparecidos e que não estavam na lista oficial de mortos com 31 nomes, divulgada neste sábado (7). “Recebi a ligação lá de dentro, anônima, e o rapaz me falou: ‘Olha dona Simone, eu tô ligando pra lhe avisar que o seu Jaime não tá aí no IML, seu Jaime foi morto aqui dentro da cozinha. Enterraram ele dentro de um buraco'... E meu marido tá enterrado lá na cozinha’", diz a dona de casa Simone Alves. Cozinha é como os presos chamam uma das alas da penitenciária, onde eles vivem em barracos. Em nota, a secretaria de Segurança de Roraima informou que os corpos foram encontrados nessa ala e que a perícia está na prisão para identificar os corpos. PARANÁ - Documentos e conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) e pelo Ministério Público Federal (MPF) revelam que o mentor do Primeiro Comando da Capital (PCC) em Roraima comanda a facção de dentro de um presídio do Paraná, segundo reportagem publicada pelo Estadão. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), Ozélio de Oliveira, conhecido como Sumô, capitaneia a organização em Roraima diretamente da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP). Ele atuaria ao lado de Diego Mendes de Andrade, o Taylor, que cuida do aliciamento de novos integrantes e da divulgação da doutrina enquanto cumpre pena na Penitenciária Federal de Mato Grosso do Sul. Uma das conversas interceptadas, Sumô fala sobre como conseguir celulares nas prisões. “Eu morro de inveja de vocês aí que todo mundo tem um, isso aqui custa 5 mil real (sic) um aqui dentro moleque”, explica Sumô. “Caro que só né! Padrinho, aqui 5 mil é que nós paga pro cara comprar pra nós aparelho”, responde Wax.

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